Sporting, a pressão da liderança

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Um Domingo de tempestade perfeita permitiu ao Sporting isolar-se no topo da classificação, conseguindo o feito de vencer em casa do eterno rival que escapava aos leões desde Janeiro de 2006. Uma liderança que poucos antecipariam depois da campanha modesta na Liga Europa, de um arranque de campeonato pouco espetacular e a turbulência permanente na comunicação social, e que premeia o trabalho de Jorge Jesus ao leme. O Sporting é, efectivamente, candidato ao título.

 

O derby foi extremamente feliz para os verde e brancos, que não foram sequer obrigados a puxar dos galões para se superiorizarem largamente ao Benfica. Um golo madrugador de Téo Gutierrez silenciou as bancadas, tranquilizou o conjunto leonino e, pelo contrário, colocou muita pressão nos anfitriões que demonstraram dificuldades em reagir. A partir daí bastou um posicionamento defensivo competente a meio-campo – destaque para as exibições monstruosas de Adrién e de William Carvalho nesse aspecto – e retirar partido do crescente desatino do Benfica para ir ampliando tranquilamente a vantagem.

Se a vitória por si só já teria um sabor doce para os adeptos e estrutura leonina, mais doce ainda terá sido para Jorge Jesus, técnico do Sporting que nunca lidou bem com ter de dividir o mérito dos seus títulos pelo Benfica com o presidente Luís Filipe Vieira, e que com este resultado ganhou novo argumento para reclamar crédito. Logo na sua primeira visita ao terreno da ex-equipa bateu um record pelo Sporting: nunca a equipa de Alvalade tinha derrotado o Benfica fora por três golos de diferença. A cereja no topo do bolo viria horas mais tarde, com a “filial“ Sporting de Braga a deslocar-se ao Dragão para empatar o agora vice-líder FC Porto, permitindo aos leões isolarem-se no comando da classificação.

A questão agora é verificar se o Sporting, que não é campeão há 13 temporadas e que há quase dois anos que nem tocava no 1º lugar, tem actualmente opções e estrutura emocional sólidas o suficiente para segurar uma posição a que não está habituado. Os resultados recentes têm sido avassaladores – 17 golos marcados em 4 jogos – mas é justo notar que aparte o Benfica os restantes adversários estavam vários patamares qualitativos abaixo dos leões. E se por um lado o regresso de William Carvalho fez subir o rendimento da intermediária, por outro Jorge Jesus continua a debater-se com a questão da sucessão a Carrillo nos flancos. Os titulares Ruiz e João Mário não são jogadores de linha nem incutem profundidade à equipa, enquanto os jovens Gelson e Matheus ainda estão somente na rampa de lançamento. A consequência é uma notória dificuldade para entrar na área adversária e em criar oportunidades de golo – felizmente Slimani e companhia têm sido brutalmente eficazes no aproveitamento das que surgem.

O jogo contra o Estoril neste Sábado será assim o primeiro teste ao leão líder, e logo frente a um conjunto que sabe defender e com argumentos suficientes para enervar o Sporting – mas que felizmente se encontra privado de Léo Bonatini, a sua principal referência ofensiva. E apesar da moral neste momento se encontrar em alta, perder pontos nesta altura será sempre um rude golpe anímico para o grupo e um tónico importante para os rivais. Com consequências imprevisíveis.

O sucesso traz pressão e a pressão não casa bem com a inexperiência. Jorge Jesus tem feito os adeptos sonharem, mas será capaz de manter o Sporting na rota do título? Têm a palavra o técnico e os seus artistas.

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